A TÁBUA DE ESMERALDAS


 

A Tábua de Esmeraldas foi um dos textos que deu origem à alquimia e a boa parte do ocultismo, seja ele oriental ou ocidental. Também conhecida como Tábua Esmeraldina, ou O Segredo de Hermes, trata-se de um texto, remontando ao Antigo Egito que se propôs a revelar a natureza do universo e suas transformações. Sua autoria indica Hermes Trimegistus, egípcio transformado em deus tanto pelos seus compatriotas quanto pelos gregos com os nomes de Toth no Egito, e Hermes na Grécia, ambos significando “o mensageiro dos deuses”.  

Seu texto é sucinto, alegórico e é considerado por muitos como a pedra angular da alquimia europeia e de toda tradição hermética posterior.  

Aqui vai uma das traduções do texto latino: 

A Tábua de Esmeraldas 

(Hermes Trimegistus)  

“É verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro.  

O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma coisa única.  

Assim como todas as coisas foram e procedem do Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação.  

O Sol é seu pai, a Lua é sua mãe, o vento o trouxe no seu ventre; a Terra o alimenta; o pai de tudo, o Thelesma1 de todo o mundo, está aqui. 

A sua força permanece inteira quando se converte em terra.  

Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente e com grande habilidade; subirá da terra ao céu e de novo descerá à terra, deste modo recebe a força das coisas superiores e inferiores.  

Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti.  

É a força forte de toda força, pois vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida. Assim foi criado o mundo.  

Disto se farão admiráveis adaptações cujo meio está aqui.  

Por isso sou chamado Hermes Trismegisto, porque possuo as três partes da sabedoria de todo o mundo. 

O que eu disse sobre a operação do Sol está completo”. 

Embora não seja fácil a interpretação da Tábua, faremos um esforço para tentar entender as suas emblemáticas palavras:  

A primeira frase diz: “É verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro”.  

É importante entender que essa é a maneira de Hermes expor sua tese; afirmar que aquilo que foi dito tem fundamento e está baseado na sua convicção da cosmogonia universal. Todos os postulados dele têm caráter afirmativo sem deixar espaço para dúvidas, e este primeiro assegura que tudo que ali está é verdade.  

E aí surge uma pergunta: como podemos ter a certeza dessa verdade?  

O buscador que percorre a senda de forma investigativa, procura não a Verdade Fundamental, pois esta está fora de nosso alcance atual, mas a verdade instruída como a justeza do pensamento puro e sem qualquer nódoa que possa mascarar seu objetivo primordial, sente a equidade de uma proposição quando ela é exposta ao seu discernimento; assim como também sente a aleivosia quando se depara com ela.  

É difícil explicar como se desenvolve essa intuição que, para os olhos leigos da maioria, não passa de especulação sem qualquer suporte que a confirme. Para o místico, entretanto, a intuição é a arma poderosa que lhe mostra o caminho a ser vencido.  

Por isso é que dizemos, parafraseando Paulo de Tarso, que “para os adultos damos carne e para as crianças leite”. Por mais que se mostrem certas “verdades” a determinados indivíduos eles passarão por elas sem entender o sentido esotérico da sentença exposta às suas vistas. Somente quando tiverem “dentes” fortes poderão deixar definitivamente o “leite” para se arriscarem com algo mais consistente, conforme no explica o apostolo Paulo de Tarso2. 

A segunda sentença diz: O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma coisa única 

Para o ocultista esse talvez seja o axioma mais extraordinário, formidável e certamente de grande força mística, para a investigação da verdade. Ele se associa ao mágico princípio da correspondência que traz a maravilha da analogia para todas as coisas criadas ou por criar. Do microcosmo ao macrocosmo, da criação à destruição de universos, tudo se interliga através da transformação material, energética ou espiritual de uma substância que realiza os milagres de uma coisa única, que age analogamente a tudo que se apresenta ao nosso conhecimento. 

 Conforme já afirmei em outros momentos anteriores, hoje em dia várias teorias são expressas para tentar explicar a origem do Universo. O século XX trouxe à luz novas teorias que se revestem da necessidade de o homem explicar suas origens. No início do século Max Planck, um cientista alemão, elaborou uma proposição que, de uma forma simplificada, ressalta a dualidade onda/partícula da matéria...  

Diferente da teoria original da ondulatória que explica alguns fenômenos referentes à luz, fenômenos estes que podem ser demonstrados por determinados experimentos, que concluem que a luz é composta por minúsculas partículas de energia chamadas fótons que carregam um quantum de energia, a nova teoria desvenda novos horizontes, daí ter sido batizada como física-quântica em contrapartida à física-clássica e explica outros fenômenos que podem ser comprovados por diferentes testes respaldados em equações matemáticas.  

O mundo científico aceitava e estava convencido que a luz era formada de ondas eletromagnéticas, como Maxwell dissera e Hertz demonstrara, Max Planck veio com novidades, jogando nova ótica à teoria corpuscular de Newton. Einstein deu força a essa hipótese de Planck usando-a para explicar o “efeito fotoelétrico”, outro fato experimental que não se adequava aos ditames da física-clássica. E, em 1913, o dinamarquês Niels Bohr usou os “quanta”3 de luz de Planck para chegar à primeira justificativa teórica das séries de linhas do espectro do hidrogênio.  

Ainda hoje não há nenhuma experiência que demonstre as duas naturezas da luz ao mesmo tempo. Albert Einstein usou essa hipótese para explicar os resultados obtidos em seus trabalhos sobre o efeito fotoelétrico, mas para ele foi difícil admitir a duplicidade onda/partícula, daí a sua frase “Deus sempre toma o caminho mais simples”.  

O século XX trouxe ainda a “Teoria das Supercordas”, que postula a ideia de que oquark, a mínima partícula encontrada nas camadas subatômicas, é tecido por supercordas, ou seja, fios energéticos que, ao vibrarem, determinam como será a natureza do núcleo atômico ao qual estão conectados, definindo, de tal modo, como atuará a partícula que contém esta energia vibracional. Desta forma é possível aliar os mecanismos que regem a Teoria de Einstein e as leis da Mecânica Quântica. A teoria das supercordas parte da constatação científica de que existem, na verdade, onze dimensões, três de natureza espacial, uma dimensão temporal e sete recurvadas, as quais incorporam também massa atômica e carga elétrica, entre outras características. Estas outras esferas não seriam visíveis, como sugerem os estudiosos desta teoria, por não captarem a luz, essencial para que possamos ver e conhecer. 

Um dos maiores desafios da atualidade vem sendo o desenvolvimento de outra teoria que seja unificada e que dê conta de tudo no universo. Em outras palavras, busca-se o “elo perdido” entre a mecânica quântica e a relatividade geral; a teoria do “tudo em um”. Descobrir os preceitos que preencham esta lacuna, significaria fornecer ao ser humano a compreensão total das coisas do universo.  

Artigos recentes demonstram comprovação matemática de uma hipótese que permite juntar algumas teorias: é a hipótese de que o nosso cosmos é um holograma de um cosmos mais simples, onde não há gravidade. Como se percebe, criando a analogia entre sucessivas teorias vai-se galgando os degraus da ciência para atingir o objetivo de explicar a natureza do Universo e ao mesmo tempo englobar todas as teorias proposta em apenas uma. 

Tudo isso não é tão simples como estamos expondo aqui; são desenvolvidas por cientistas por anos e anos a fio e adentram fórmulas matemáticas bastante complexas, o que não é o objetivo de nossa obra. Nosso escopo é citar o que está acontecendo no meio científico para explicar fenômenos que, muitas vezes estariam em consonância análoga ao pensamento ancestral do mestre Hermes. E enquanto escrevem-se livros e livros para explicar as teorias científicas que vão mudando de cara a cada nova descoberta, os axiomas herméticos permanecem imutáveis há mais de quarenta séculos. E, portanto, atingimos sempre a sentença hermética de que “o que está em cima é como o que está embaixo”, e assim por diante... 

A próxima sentença da tábua diz: Assim como todas as coisas foram e procedem do Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação 

Supomos que Hermes quis dizer que existe uma força única, um pensamento único e uma vontade única da qual todas as coisas se originaram e se desenvolveram. Olha aí a teoria do “tudo em um” procurada pela ciência! Vejam que o Um esta grafado em maiúscula e expressa uma energia criadora que é a causa primária do próprio universo. Esse é um dos mais interessantes e belos conceitos da Divindade Principal. Sempre nos perguntamos: O que é Deus? E chegamos a conclusão de que ainda somos muito ignorantes para poder definir algo tão imenso frente ao nosso minúsculo pensamento. Mas podemos senti-lo dentro dos nossos corações, dos nossos pensamentos e da inspiração que nos vem sempre que invocamos o seu nome.  

De uma coisa temos certeza, a força da criação é aquela que foi chamada “Um” donde tudo procede e, através do Princípio da Correspondência todas as outras nasceram dela, a coisa única, por adaptação, pois “o que está em cima é como o que está embaixo. Este é o conceito da “Mônada”, aventado por inúmeros cientistas que o definem como a centelha prima do universo. 

Veja o que diz a ciência: Umateoria de tudo, ou do todo,unificada”, ou expressões mais simples que definamTeoria da Grande Unificação, é umahipótese científica que unificaria ou procuraria explicar e conectar em uma só estrutura teórica, osfenômenosfísicos,juntando amecânica quânticae arelatividade geral num único tratamento teórico e matemático. Inicialmente, o termo foi usado com uma conotação irônica para referir-se a várias teorias generalizadas. Depois o termo se popularizou na física-quânticaao descrever uma teoria que poderia unificar ou explicar através de um modelo simples de teorias todas asinterações fundamentaisda natureza. Atualmente a teoria holográfica é a que mais satisfaz os cientistas, pois conseguiu agrupar satisfatoriamente a mecânica quântica, a relatividade e a teoria das cordas.  

Isso mostra que o conceito de Hermes ao resumir que assim como todas as coisas foram e procedem do Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação”, está perfeitamente em consonância com aquilo que a ciência busca hoje em dia, ou seja, provar uma teoria unificada que explique todos os aforismos sobre o assunto.  

Outra sentença diz: O Sol é seu pai, a Lua é sua mãe, o vento o trouxe no seu ventre; a Terra o alimenta; o pai de tudo, o Thelesma  de todo o mundo, está aqui.  

Aí estão os elementos simbólicos formadores do Universo, a matéria prima Divina que faz nascer e morrer, cria ou destrói, porque a transformação é o moto perpétuo do Supremo Arquiteto na sua obra eterna. 

A representação do homem no pentagrama é uma reprodução da figura humana com os braços abertos e as pernas afastadas dentro de uma estrela de cinco pontas ou pentagrama... o importante é que podemos representá-la com alguns detalhes em cada extremidade, simbolizando um elemento específico:  


 


 

Por exemplo, fogo’ e ‘ar’ se refletem nos membros superiores e ‘terra’ e ‘água’ nos dois membros inferiores.  

O quinto elemento, o Thelesma ou Akasha é a ponta do pentagrama que representa a cabeça do homem. A ‘terra’ e a ‘água’ são elementos causadores o que darão origem a um ciclo de geração ou criação. Por exemplo, a terra gera os metais oriundos dos minerais. O ‘fogo’ e o ‘ar’ são transmutadores e, paradoxalmente, destruidores. Eles purificam os minerais transformando-os em metais, mas se não houver equilíbrio, o elemento criador converte-se em destruidor; o ar alimenta o fogo e calcina tudo reduzindo a cinzas aquilo que ele devora. Porém, a ‘água’, o elemento úmido, o inibe. Por outro lado, a água tem um caráter dissolvente... isso é apenas um exemplo: para que exista estabilidade é necessário um elemento inibidor, que neste caso é o oposto do outro. A água inibe o fogo para que ele não destrua e calcine. 

O Sol, o pai, é quente e representa o Fogo. É através do Fogo místico que se apura a matéria, que se separa a substância apartando a ganga e purificando o metal. A Lua, o elemento úmido, frio, representa a Água que se opõe ao Fogo. Como o Fogo em excesso destrói, a Água vai dosá-lo para que não exceda a proporção mágica que origina a vida. A Água, entretanto, em excesso também é prejudicial e o Fogo deve estar presente para que ela não dissolva totalmente o que deve ser construído.  

Portanto, tanto calcinar como dissolver são estágios da criação ou da destruição da substância. São usados constantemente na química material. E conforme alguns afirmam, os mundos nasceram do caos, da explosão! O terceiro elemento é o Ar, ou melhor, o vento que o trouxe em seu ventre. O sopro divino que embala a vida, o alento. O sopro que Deus deu nas narinas do homem que então vai habitar a Terra; e a Terra o alimenta e nutre. O Thelesma é o quinto elemento, o Akasha, o Nous, a Quintessência, o fluido eletromagnético, o Cósmico... essa é a substância que representa a grande obra da Criação. Ali o Grande Arquiteto verbaliza o som criador da Palavra Sagrada, perdida pela eternidade e sempre procurada pelos hierofantes. É o “Fiat-Lux” da Gênese Cabalística. Hoje em dia os cientistas já reconhecem a existência do Akasha, como se ele fosse a mente ancestral onde todos os pensamentos são registrados... chamam-no também de inconsciente coletivo ou registros akashicos, embora estejam quarenta séculos atrasados, representa um belo passo em direção à Verdade Fundamental.  

Para analisarmos melhor a próxima sentença, precisamos enxergar o homem como objetivo supremo da criação, visto que em todo o processo evolutivo foi ele, afinal, que alcançou a dádiva da consciência e do livre-arbítrio.  

Ela diz: A sua força permanece inteira quando se converte em terra.  

Lemos em Gênese: E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gênesis 2:7).  

Usando a ferramenta poderosa da analogia vemos que, simbolicamente, o homem foi formado do pó da terra, ou melhor, do barro, que é a junção do elemento Terra com o elemento Água. O elemento Ar foi soprado nas narinas: é o fôlego da vida e a partir daí o homem é alma vivente e passa a queimar calorias dentro de seu corpo para gerar calor, ou seja, o elemento Fogo.  

A analogia é perfeita e condiz com a Tábua de Esmeraldas: A sua força permanece inteira quando se converte em terra”. Analisando o homem como ser biológico vivente em seu habitat, a Terra, percebemos que antes do nascimento ele está dentro de uma placenta plena de líquido, respirando através um cordão umbilical. Nesse momento possui esqueleto cartilaginoso composto por elementos químicos minerais (25 %), isto é, de terra, e o restante (75%) de água. Quando nasce, o primeiro alento se dá pela absorção do ar; é o sopro que imprime o folego da vida. Esse ar que ele aspirou no nascimento exalará no último suspiro da sua existência; enquanto houver vida ele aspirará e expirará durante vinte e quatro horas por dia através de sua existência total alimentando a combustão de seu metabolismo por intermédio do oxigênio absorvido.  Após exalar o último suspiro o corpo volta à terra de onde veio. Durante a jornada da vida o corpo material queimará as substâncias alimentares que vai consumir initerruptamente; a combustão é sempre constante, produzindo o calor necessário à manutenção do princípio vital. É o elemento fogo participando também do milagre da vida. Caso a combustão cesse a vida também cessa e o corpo morre. 

Neste ciclo o indivíduo desenvolve uma energia vital de natureza eletromagnética, a energia espírito, que faz com que os órgãos funcionem mantendo o corpo vivo e quando essa energia finda, imediatamente a matéria e os elementos primários, voltam a terra; porém, a força vital não se perde e vai animar a unidade do espírito que é a alma. Por isso a força permanece inteira quando o corpo retorna à Terra. 

Passamos a mais um axioma: Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente e com grande habilidade; subirá da terra ao céu e de novo descerá à terra, deste modo recebe a força das coisas superiores e inferiores.  

Essa sentença é escrita de forma quase imperceptível aos ouvidos não preparados. Por terra entendemos o corpo físico denso e espesso. Por fogo deduzimos a centelha espírito, sutil e delicada. Para entender isso o estudioso das leis naturais deve usar toda a sua perspicácia, sua sagacidade para separar os dois importantes estágios na intrínseca natureza humana; o corpo, matéria, e o espírito, consciência. 

Entre nós ocultistas, o estudo da reencarnação é praticamente obrigatório. Esse é o ciclo de progresso do planeta. Tudo está em movimento e em eterna renovação que compõe o estado evolutivo de cada ser. Subir da terra ao céu e descer de novo para receber ensinamentos novos é a marcha adequada para o aprendizado que eleva o homem a adiantar-se na sua trajetória sorvendo o ensinamento das coisas superiores e inferiores. 

Separar a terra do fogo é distinguir a dualidade corpo/espírito, o corpo denso e espesso, do espírito leve e sutil. Para concretizar tal conhecimento, não apenas superficialmente, mas com profundidade e justeza, precisamos desenvolver o aprendizado das coisas ocultas, o conhecimento hermético. Por isso Hermes estimula o buscador a ter grande habilidade, ou seja, suficiente aptidão para conhecer as gradações que separam a matéria espessa do sutil espírito.  

A Tábua de Esmeraldas é um encadeamento de axiomas que compelem o estudioso a usar seus dois maiores predicados: a mente, através do raciocínio favorável à sua pesquisa e a intuição, verdadeira fonte de conhecimento, mesmo estando externa ao ser, mas que busca no Akasha a fonte precisa para o entendimento subsequente. 

Subir ao céu e depois descer à terra é o ciclo contínuo para o aprendizado do indivíduo na sua ascensão universal. Progredir e desenvolver-se continuamente é o objetivo que almejamos na senda. Crescer infinitamente, um degrau após outro e, lógico, para obter tal cabedal de conhecimentos, tal quantidade de informação, não poderia ser alcançada em apenas um período extremamente curto, que pode durar, de minutos a algumas dezenas de anos. Assim o axioma “... subirá da terra ao céu e de novo descerá à terra, deste modo recebe a força das coisas superiores e inferiores...”, manifesta-se com toda a sua pujança e sapiência. 

Passemos a um novo axioma: Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti...   

O pensamento expresso na “Tábua de Esmeraldas” é um contexto de uma trajetória que vincula cada sentença correlacionando-as entre si. Pela compreensão do aforismo anterior, ou seja, pelo seu conhecimento expandido o indivíduo obterá maior sabedoria com relação às coisas ocultas e, quanto maior for a quantidade de informação mais perto ele estará da iluminação, que é a meta de todo buscador que caminha pela senda. 

A glória do mundo é o reconhecimento advindo da nova situação que vai aclarar o espírito do estudante zeloso; e devido a essa luz, toda a obscuridade se afastará. Na verdade, no axioma anterior, vimos a necessidade de cumprir o ciclo de aperfeiçoamento indo e vindo por diversos períodos ao cadinho depurador da matéria densa para depois voltar à sublime sutileza da vida eterna. 

É importante ter-se em mente que todas as teorias novas causam inicialmente um pouco de dúvida, incerteza ou insegurança; são ideias que precisam ser digeridas para se firmarem como possibilidade real de se tornarem justas e perfeitas. É óbvio que nem todos alcançarão a relevância delas, pois continuamos a afirmar que a carne é alimento para adultos e a maioria da população terrestre ainda não se encontra preparada para ouvir, pois seus ouvidos estão surdos ao entendimento de certas coisas. 

Entretanto, para os que estiverem preparados estas palavras serão bem-vindas e certamente ajudarão bastante àqueles que querem ser esclarecidos. Quase todas as obras que versam sobre o ocultismo são escritas de forma monótona e monocórdica, ao contrário do que produzimos, pois, nossa linguagem não possui mistérios que constituam barreira para o leitor nem termos de difícil “digestão”. Pelo contrário é a linguagem do diálogo e do dia-a-dia. É evidente que muitos não passarão da introdução, mas aqueles que chegarem até aqui, poderão ter um material pronto para raciocínio de primeira água.  

Vamos agrupar as quatro últimas sentenças e estudá-las de uma vez. São elas:  

É a força forte de toda força, pois vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida. Assim foi criado o mundo.  

Disto se farão admiráveis adaptações cujo meio está aqui.  

Por isso sou chamado Hermes Trismegisto, porque possuo as três partes da sabedoria de todo o mundo. 

O que eu disse sobre a operação do Sol está completo. 

Hermes recebeu a iluminação através de Poimandres, o ser que ele qualificou como o Nous que trouxe luz a todas as suas dúvidas e, após essa iluminação ou sublimação, se você preferir definir o êxtase como um estado de graça e de aclaramento mental, ele tornou-se o Trimegisto, ou aquele que possuí as três partes da filosofia.  

Para Hermes o local onde se move o universo é “...um intelecto que contém a si próprio inteiramente, livre de todo corpo, infalível, impassível, intangível, imutável em sua própria estabilidade, contendo todos os seres e os conservando no ser, do qual são como os raios, o bem, a verdade, o arquétipo do espírito, o arquétipo da alma...”4 

Segundo lemos no “Corpus Herméticum” manuscrito que, segundo os pesquisadores ocultistas foi escrito pelo próprio Hermes, e compõe um dos três trabalhos que se tem ciência junto com a “Tábua de Esmeraldas” e o “Cabailion”, ele define Deus dizendo que Ele é a mente que engloba todo o universo criado por sua vontade. 

Inferimos de suas sentenças que todas as coisas existentes são compostas dos quatro elementos formadores e que a junção deles forma o quinto elemento que nós chamamos de Akasha e Hermes de Thelesma ou Nous; essa é a força forte que penetra tudo no universo. O Akasha é o elemento criador onde a vontade do “Nous Demiurgo” se materializa para formar tudo que existe. Os rosacruzes o chamam de Cósmico... logo ele penetra todas as coisas materiais. 

A sentença mais importante dentro do ocultismo é o princípio da correspondência: o que está em cima é como o que está embaixo....”. Tudo é análogo. Hoje, mais de quarenta e tantos séculos após Hermes, a ciência oficial vai abdicando de suas “certezas” absolutas substituindo-as por outras “certezas” mais novas, mas que continuam a serem consideradas absolutas. E ela, a ciência, tem mudado com uma rapidez enorme, justamente porque da metade do século passado para cá as descobertas tem acontecido com rapidez vertiginosa e os conceitos vão se superando; em poucos anos fomos de uma pobre investigação do cosmo, ao milagre da tecnologia obtida com o lançamento do telescópio espacial; de uma improdutiva averiguação de microrganismos patogênicos, a uma importante descoberta, tal como o genoma humano, através dos mais potentes microscópios de transmissão de elétrons. A investigação do macrocosmo e do microcosmo nos mostra que tudo no universo caminha na mesma direção e obedecendo aos mesmos critérios: desde o movimento circular que gera o vórtice criador das nebulosas até o mesmo vórtice que liga as moléculas de carbono entre si no enigma da covalência, da origem da vida à origem do universo; e então surge o axioma “o que está em cima é como o que está embaixo...” pleno de sua sabedoria e grandiosidade. Ponto para Hermes que percebeu esta verdade com quarenta séculos de antecedência. 

Mais um axioma: “Disto se farão admiráveis adaptações cujo meio está aqui. As adaptações são a analogia que compõe o universo. Conforme Hermes explica no “Corpus Hermeticum” sua iluminação foi bastante intensa e completa, atingindo após isso o epíteto de “O Trimegisto”, grau que alcançou pela sua integração com o “Nous Demiurgo”. 

Em alguns sistemas filosóficos ou de crenças particulares, o Demiurgo representa O Criador, ou seja, a deidade responsável pela criação do universo físico e material. Plotino identificou-o como o Nous, a primeira emanação do Todo e responsável pelo mundo material em que vivemos. Em outras palavras o “Nous Demiurgo” seria a vontade de Deus manifestada no plano físico. Por isso é importante a concepção do Akasha, Cósmico, Fluido Eletromagnético, Nous, etc., que é o plano onde a vontade de Deus, designado por O Todo, se manifesta. 

Como se pode perceber todas as coisas se encaixam perfeitamente “... para cumprir os milagres da unidade...”. O universo e o átomo funcionam com a mesma precisão e obedecendo as mesmas leis. A ciência atual verificou que as ondas cerebrais do tipo alfa ou teta tem a possibilidade de adentrar o espectro eletromagnético e navegar pelo Cósmico, conforme os princípios da física quântica, plasmando desejos e vontades que se tornarão passíveis de serem realizadas. Chamam a isso “lei da atração”. Isso comprova o axioma cristão de que “a fé remove montanhas...” e explica as curas milagrosas que acontecem nos locais santos de muitas religiões, confirmando a hipótese das egrégoras benéficas, formas pensamentos criadas pelo fervor coletivo. 

As coisas acontecem com bastante rapidez nos tempos atuais. Baseados em princípios da física quântica ― aquela que estuda as micropartículas atômicas que apresentam o aspecto dual onda/partícula ― alguns teóricos chegaram à conclusão de que o pensamento pode ser mensurado e transmitido através do Cósmico ou Akasha. Isso vai desembocar no velho adágio de que o pensamento positivo pode, além de curar doenças, fato estudado hoje pela medicina psicossomática e a holos medicina integrativa que trabalham o corpo e a mente de forma integrada dentro de possíveis conceitos técnicos e científicos pode, ainda, realizar desejos caso a vontade se espalhe uniformemente pelo universo. 

Recentemente li alguns artigos sobre “O Segredo”, um livro que virou filme mostrando que tudo aquilo que queremos poderemos obter apenas pelo pensamento de que tal fato é praticável. Será que existe mesmo essa probabilidade? Sim, é possível, mas para a maioria é pouco provável. Por isso a ciência hermética diz que “para os adultos carne, para as crianças leite...”, inferindo-se daí que nem todos conseguirão concretizar seus sonhos através de um simples desejo. A possibilidade é real. Mas a maneira como deve ser realizado o processo é diretamente proporcional à capacidade de concentração, meditação e entendimento de cada indivíduo.  

Fernando Gimeno (Fergi Cavalca)

 

 

 

 

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